De acordo com integrantes do diretório, Lula disse aos dirigentes petistas, sem citar Temer nominalmente, que parte das traições sofridas pelo governo na Câmara são fruto de promessas de que a Operação Lava Jato seria abafada em troca da aprovação do impeachment.
Segundo o presidente nacional do partido, Rui Falcão, o PT e os movimentos sociais e sindicais que compõem as Frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo vão tentar, com manifestações de rua e ações no exterior, deslegitimar e impedir a estabilidade do eventual governo Temer.
“Não haverá trégua nem estabilidade para um governo que carece de voto popular. O PT não vai permitir que ele ponha em prática o seu programa. Não podemos permitir que depois de anos de avanço venha um cara sem voto, traidor, retirar direitos”, disse Falcão. “É muito mais do que oposição parlamentar só. É dizer para a população que com um governo ilegítimo não tem paz, não tem tranquilidade, tem luta. E deslegitimação permanente aqui e no exterior.”
Além de Lula, participaram da reunião a convite da direção petista Guilherme Boulos, líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), e João Paulo Rodrigues, da coordenação nacional do Movimento dos Sem Terra (MST), representando as duas frentes.Segundo relatos, Lula disse que a estratégia de confronto teria sido forçada pela oposição. “A elite nos forçou a fazer a luta de classes. Não fomos nós que pedimos”, disse o ex-presidente, em referência ao caráter conciliador de seus oito anos de mandato.
Falcão usou termos duros como “traidor” e “receptador” para se referir a Temer. Segundo ele, o PT vai concentrar esforços no Senado e não deve discutir neste momento a realização de uma campanha pela realização de novas eleições, pois a prerrogativa da decisão é exclusiva de Dilma.
“Não tiramos conclusões a respeito disso porque acreditamos que é preciso avaliar no Senado a questão se houve ou não crime de responsabilidade. Qualquer discussão a respeito de encurtamento de mandatos não pode ser travada ou ter nenhuma deliberação a menos que isso viesse a partir da presidente da República”, afirmou.
No encontro, Lula admitiu que a possibilidade de reverter o quadro no Senado é remota. Embora o partido não vá embarcar, ao menos por ora, na tese das novas eleições, senadores petistas continuam fazendo articulações nesse sentido. A ideia é usar o argumento para atrair votos contra o impeachment.
Volta às raízes
Depois de 13 anos nos quais deixou as velhas práticas de lado, se aproximou de legendas de centro-direita e se distanciou da base histórica, o PT faz uma espécie de autocrítica e fala em voltar às raízes, reforçando a relação com movimentos populares e se reaproximando de partidos de esquerda. “Fazendo autocrítica na prática, o PT tem reaprendido, nesta jornada, antiga lição que remete a fundação de nosso partido: o principal instrumento político da esquerda é a mobilização social”, diz a resolução aprovada.
O texto faz menções específicas aos partidos que se aliaram na luta contra o impeachment, como PDT e PCdoB, inclusive alguns de oposição ao governo, casos do PCO e do PSOL, criados após rachas internos do PT.
Alguns dirigentes defenderam a proibição de alianças, nas eleições municiais, com partidos que votaram a favor do impeachment. A questão ainda será debatida pela direção partidária.
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